A grande causa do sofrimento dos animais de companhia é o descontrole populacional. São inúmeros os animais sem dono, demasiados para a quantidade de pessoas dispostas a adoptar. A falta de controlo populacional de cães e gatos tem consequências gravosas: ninhadas jogadas no lixo que, se não morrem de fome, frio ou de intoxicação, acabam esmagadas; animais abandonados à beira das estradas para serem atropelados; ninhadas afogadas, asfixiadas em sacos de plástico, enterradas vivas…; animais deixados à sua sorte em campos, serras ou outros locais desérticos; centenas de animais saudáveis eutanizados nos canis e gatis municipais (por lei eles têm apenas 8 dias para esperarem por dono); formação de colónias de cães e gatos que todos os dias travam uma luta para conseguirem alimentar-se… São animais indesejados, resultantes de nascimentos descontrolados, dos quais só uma pequena percentagem tem a sorte de conseguir a protecção, atenção e carinho que um bom adoptante pode proporcionar.
Uma gata pode ter numa ninhada entre 4 a 12 filhotes. Se sobreviverem apenas 2,8%, um casal de gatos e seus descendentes podem ter 12 gatinhos num ano, 2.107 em 4 anos e 370 mil gatinhos em 7 anos. Um casal de cães pode gerar 16 filhotes num ano, 2.048 em 4 anos e 67 mil em 6 anos. E daí por diante. Não há lares para todos! Os períodos de cio são sucessivos e as fêmeas, se nada se fizer, são “autênticas máquinas de parir”, o que também lhes causa sofrimento e lhes é prejudicial à saúde.
As associações e algumas pessoas, trabalhando individualmente, esforçam-se diariamente para travar o crescimento da população de cães e gatos através do recurso à esterilização. Combater esta triste realidade está nas mãos de todos nós! Eles não sabem proteger-se, temos que ser nós a ajudá-los!
Ao reconhecermos a importância do controlo da natalidade de cães e gatos, estamos a tratá-los com respeito e não como coisas que podem ser facilmente descartadas. São inúmeros os animais que nascem a quem não foi possível estender uma mão. O segredo está na prevenção, não em remediar com a morte ou o fácil descarte.
Frequentemente as pessoas dizem: “ O meu não vai à rua, não precisa ser esterilizado!” Acontece que o período de vida dum cão ou de um gato é longo e nem sempre controlamos ou podemos garantir o nosso destino e dos nossos dependentes. Muitos animais que acabam nas ruas tinham donos e eram amados, mas as circunstâncias ditaram um final menos feliz.
Além disso, impedir a cada cio que o animal cruze, mas mantê-lo com os instintos para isso, é uma constante frustração que lhe é prejudicial.
A esterilização previne também o aparecimento de certas doenças: doenças sexualmente transmissíveis, quistos mamários, cancro do ovário, útero, próstata ou testículos, entre outras, situações clínicas que a pílula e os cios sucessivos tornam mais frequentes, e evita-se o stress e a ansiedade que os animais sentem nos períodos de cio, eliminando-se os comportamentos incomodativos e marcação de território associados a ele. Sem stress, ansiedade ou lutas territoriais, os animais tornam-se mais dóceis e meigos.
Esterilize o seu animal de companhia e, se tiver conhecimento de um animal abandonado, promova a sua esterilização. Pode pedir ajuda a uma associação de animais da sua zona que saberá como proceder.
Afinal, somos nós, enquanto seres pensantes, que temos o dever de sermos responsáveis e justos para com os nossos animais, intervindo e prevenindo nascimentos indesejados.
Tudo por um mundo melhor e mais justo!